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quinta-feira, 15 de março de 2012

A NOSSA EUCARISTIA



Na orientação que agora vou dar a vocês eu não os elogio. Porque as suas reuniões na igreja fazem mais mal do que bem. Em primeiro lugar me contaram que há grupos de pessoas que estão brigando nas reuniões da igreja. Eu creio que em parte isso é verdade. Não há dúvida de que é preciso haver divisões entre vocês para que apareçam os que estão certos. Mas, quando vocês se reúnem não é a ceia do Senhor que vocês comem. Porque, quando vão comer, cada um se adianta para tomar a sua própria refeição. E assim, enquanto uns ficam com fome, outros chegam até a ficar bêbados. Será que vocês não têm as suas próprias casas onde podem comer ou beber? Ou será que preferem desprezar a Igreja de Deus e envergonhar os que são pobres? O que é que esperam que eu diga a vocês? Querem que lhes dê os parabéns? É claro que não vou fazer.

(Carta aos Coríntios 1 – Capítulo 11 – Versículo 17 a 22)

Apesar de estas palavras terem sido escritas pelo apóstolo Paulo há mais de dois mil anos, elas são completamente atuais até o dia hoje. Ou será que até hoje nos templos os seguidores de Cristo (os cristãos) não brigam entre si? Como diz Paulo, precisa haver discordâncias entre os seguidores de Cristo, mas será que eles precisam atacar-se entre si? Será que precisam ser os primeiros a se adiantar para se alimentarem (dizerem que conhecem a verdade do que Cristo ensinou)? Será que não basta a cada o que há na sua própria casa (a doutrina que seguem) e precisam roubar o alimento (a certeza com relação aos ensinamentos de Cristo) dos outros?

É isso que vemos nos dias de hoje. Diversos são os seguimentos cristãos: os espíritas e os não espíritas, os católicos e os evangélicos e protestantes. Eles se digladiam dizendo cada um possui o certo do ensinamento de Cristo. O que esperam que diga: que lhes dê os parabéns? Claro que não vou fazer isso...

Vou dar a eles o mesmo conselho que Paulo deu: ceiem com o Senhor...

Porque eu recebi do Senhor o ensino que passei a vocês: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, pegou o pão e deu graças a Deus. Depois partiu o pão e disse: Isto é o meu corpo, que é entregue em favor de vocês. Façam isso em memória de mim. Assim também, depois do jantar, pegou o cálice e disse: Esse cálice é o novo acordo feito por Deus com o seu povo, acordo que é selado com o meu sangue. Cada vez que vocês beberem deste cálice, façam isto em memória de mim. Porque cada vez que vocês comem deste pão e bebem deste cálice anunciam a morte do Senhor, até que ele venha.

Por isso aquele que comer do pão do Senhor ou beber do seu cálice de modo indigno peca contra o corpo e o sangue do Senhor. Portanto, antes de comer do pão ou beber do cálice, cada um deve examinar a sua consciência. Se alguém comer do pão ou beber do cálice sem reconhecer que se trata do corpo do Senhor, come e bebe para o seu próprio castigo. É por isso mesmo que muitos de vocês estão doentes e fracos e alguns já morreram. Se examinássemos primeiro a nossa própria consciência, não estaríamos debaixo do julgamento de Deus. Mas, somos julgados e castigados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.

(Carta aos Coríntios 1 – Capítulo 11 – Versículo 23 a 32)

O remédio indicado por indicado por Paulo para salvar os cristãos de Coríntios é o mesmo que se pode dar a todos os seguidores de Cristo em qualquer das doutrinas que hoje existem: a cada momento comer o corpo e beber o sangue de Cristo. Esta ação é chamada pela Igreja Católica de ‘eucaristia’.

Nós endossamos a necessidade de fazer a eucaristia, mas discordamos do ato proposto pela Igreja Católica: o engolir a hóstia e beber o vinho. Vamos entender isso...

A igreja católica adota este ritual porque está presa ao corpo físico de Cristo, ao Jesus Cristo homem. Por isso ela acha que a eucaristia se consiste em comer e beber algo material. Mas, nós seguimos Paulo quando ele fala sobre a ressurreição de Cristo:

Quando você semeia uma semente na terra, ela só brota se morrer. E o que está semeado é apenas uma semente, talvez um grão de trigo ou outra semente qualquer e não o corpo já formado da planta que vai crescer. Deus dá a essa semente o corpo que ele quer e dá a cada semente o seu próprio corpo.

E a carne dos seres vivos não é toda do mesmo tipo: os seres humanos têm um tipo de carne, os animais outro; os pássaros outro; e os peixes ainda outro.

Há também corpos do céu e corpos da terra...

(Carta aos Coríntios 1 – Capítulo 15 – Versículo 36 a 40).

Ao invés de nos prendermos ao corpo físico de Jesus Cristo para a prática da eucaristia, preferimos nos prender ao seu corpo espiritual. Qual é este corpo? O apóstolo João nos ensina...

Antes de ser criado o mundo, aquele que é a Palavra já existia. Ele estava com Deus e era Deus. Assim, desde o princípio a Palavra estava com Deus.

...

A Palavra se tornou um ser humano e morou entre nós.

(Evangelho de João - Capítulo 01 – Versículos 01, 02 e 14).

Cristo é a Palavra. Ela se transfigurou em ser humano para aqui, como mensageiro de Deus trazer a Sua mensagem. Que mensagem é esta? Ela foi deixada claramente depois de última ceia:

Eu lhes dou este novo mandamento: Amem uns aos outros. Assim como eu os amei, amem também uns aos outros. Se tiverem amor uns pelos outros, todos saberão que vocês são meus seguidores.

(Evangelho de João – Capítulo 13 – Versículo 34 e 35).

A mensagem de Cristo foi o amor incondicional entre todos os seres universais. Por isso posso dizer que a Palavra é o amor. A importância deste entendimento está muito bem descrita por Paulo:

Eu poderia falar todas as línguas que se falam na terra e até no céu, mas se não tivesse amor as minhas palavras seriam como o barulho do gongo ou o som do sino. Poderia ter o dom de anunciar mensagens de Deus, ter todo o conhecimento, entender todos os segredos e ter toda a fé necessária para tirar as montanhas dos seus lugares, mas se não tivesse amor, eu não seria nada. Poderia dar tudo o que tenho e até entregar o meu corpo para ser queimado, mas se eu não tivesse amor, isso não me adiantaria de nada.

(Carta aos Coríntios 1 – Capítulo 13 – Versículos 01 a 03).

Para se acabarem com as divergências entre os cristãos somente a eucaristia é um instrumento válido. Não a eucaristia levada ao pé da letra como faz a Igreja Católica (a comunhão com o corpo físico de Jesus Cristo), mas aquela onde se cria a comunhão com o corpo espiritual da Palavra: o amor...

Se houver amor as palavras discordantes entre as doutrinas não soarão como gongo. Os dons que cada facção cristã afirma ter (processos mediúnicos, a desobsessão, o poder da oratória e a própria fé) não são nada se não exercitadas com o amor ensinado por Cristo. Mesmo a caridade, que é o único ponto convergente entre as doutrinas cristãs, não é nada sem que o amor crístico esteja na base da ação.

Só a eucaristia, o comungar com a Palavra, pode salvar os religiosos de qualquer segmento cristão. Somente vivendo em comunhão com o amor aqueles que se dizem buscador de Deus podem alcançá-Lo.

Para viver esta eucaristia é que indicamos o caminho traçado por Paulo: o exame da consciência. Para comungar com a Palavra é preciso que cada um viva analisando sua consciência para saber se aquilo que pensa reflete-se num amor universal ou se está preso a um julgamento, a uma crítica ou acusação. Aquele que não comunga a cada momento da sua vida, ou seja, não analisa seus próprios pensamentos para ver se eles refletem um amor incondicional a todos, como e bebe o seu próprio castigo. Por isso, como ensina Paulo, “muitos de vocês estão doentes e fracos e alguns já morreram”.

Para se comungar com Cristo não é preciso cerimônia alguma nem ingestão de qualquer matéria humana (o pão e o vinho) ou mesmo a presença de um padre: basta apenas viver pelo amor. Cada momento que o ser humanizado vive amorosamente está em eucaristia com Cristo.

Por isso insistimos desde o início em incitar que cada um produza a sua reforma íntima, ou seja, liberte-se dos critérios de certo e errado para as coisas do mundo e amem a todos incondicionalmente. Fazemos isso porque somos seguidores de Cristo e comungamos com a Palavra. Quando assim agimos fornecemos o corpo e o sangue de Cristo para todos os que nos ouvem poder fazer a sua comunhão. Agora, se cada um irá se comungar, isso é com cada um... Ouvindo, compreendendo e tentando praticar o amor incondicional, este ser terá comungado com a Palavra; ouvindo e não tentando colocar este amor em prática, não comungará. Esta é a nossa eucaristia...

Justamente por causa deste respeito à opinião de quem quer que seja, por favor, não tomem estas nossas palavras como uma crítica a qualquer religioso. Sabemos que a comunhão com a Palavra é decisão do livre arbítrio de cada ser e por isso não nos dizemos certos ou errados, nem aplicamos estes valores a ninguém.

Fazemos como Paulo: mostramos o caminho e a consequência de uma vida vivenciada de tal ou tal forma. Cada um que analise sua consciência e siga ou não os ensinamentos deixados pelos enviados de Deus.

O CÉU E O INFERNO ESTÃO NO MESMO LUGAR



Apesar de renegada pela maioria dos novos cristãos, principalmente os espíritas e espiritualistas, a Bíblia Sagrada é o livro mais importante para qualquer ser humanizado que siga os ensinamentos de Cristo, pois o próprio mestre disse:

Não pensem que eu vim acabar com a Lei de Moisés e os ensinamentos dos profetas. Não vim acabar com eles e sim dar o verdadeiro sentido deles. (Mateus – Capítulo 05 – Versículo 7)

Ao longo de toda a sua pregação Cristo não só seguiu o que ensinaram os profetas do antigo testamento como afirmou que muita coisa do que vivia era necessário acontecer para que o que estava profetizado acontecesse. Se ele submeteu-se a estas leis, se ele acreditou no que foi ensinado antes, porque os novos cristãos não a seguem? Não saberia explicar...

Acho que isso acontece porque muitos destes novos cristãos não entendem a Bíblia, não a conhecem direito. Por este motivo vou tentar jogar um pouco de luz sobre o que está neste livro sagrado.

A Bíblia começa com a parábola de Adão e Eva. Este casal simboliza os primeiros espíritos criados por Deus no Universo. Eles viviam no paraíso, ou seja, no plano espiritual superior, onde tinham tudo o que precisavam para a sua existência. Lá eles podiam transitar livremente e alimentar-se de todas as coisas, com exceção de um fruto, aquele que nascia da árvore que ficava no meio do paraíso: o fruto da árvore do conhecimento...

Qual o fruto da árvore do conhecimento? O saber... Sempre que um ser acredita naquilo que toma conhecimento (alimenta-se do fruto desta árvore) imagina saber alguma coisa. Portanto, o saber é o fruto que os espíritos que vivem no plano superior não podem usar para alimentar-se.

Mas, a que saber estou me referindo? Para explicar com a palavra a cobra, ‘que era o animal mais esperto que o Deus Eterno havia feito’.

Deus disse isso porque sabe que, quando vocês comerem a fruta dessa árvore, os seus olhos se abrirão e vocês serão como Ele, conhecendo o bem e o mal. (Gênesis – Capítulo 03 – Versículo 05).

É este saber que estou me referindo: o saber distinguir o bem do mal, o certo do errado, o bonito do feio. Quando o ser humanizado acredita poder distinguir o que é certo do que é errado, o que é bom do que é mal, simbolicamente se transforma naquele que come a maçã, ou seja, que comete o pecado original.

Sendo isso verdade e estando os espíritos num mundo de provação, podemos, então, compreender que esta prova se refere a ter o saber ou abrir mão dele. Para que o espírito execute a sua prova, então, é preciso que até hoje a cobra esteja presente neste mundo oferecendo a cada momento o fruta proibido (os códigos que determinam o que é certo ou errado, bom ou mal) para que o ser universal possa fazer a sua opção: fechar seus olhos (deixar de ter certeza do que é bonito ou feio). Sendo assim, a cobra de hoje são as próprias doutrinas religiosas, os códigos morais, de ética ou comportamental que servem como guia para os seres humanizados distinguirem o bom do mal, o certo do errado. Libertar-se deles, ou seja, não utilizá-los para julgar o mundo, é, portanto, o objetivo da encarnação no mundo de provas e expiações.

Mas, isso não deve ser feito com o objetivo de ganhar qualquer coisa, inclusive a elevação espiritual, a volta ao paraíso. O ser que busca se libertar destes códigos deve fazê-lo pelo reconhecimento que não é igual a Deus, ou seja, não possui o mesmo poder de compreensão das coisas universais que Ele possui e não para ganhar qualquer coisa.

Aí está a provação do espírito e como ela pode ser vencida: reconhecer que os códigos de leis que regem a convivência humana são apenas fruto da árvore proibida e libertar-se de se alimentar deles através da aceitação de que apenas Deus tem o poder de conhecer o bem e o mal. Quando age assim o ser universal demonstra que reconhece no Pai a ascensão moral que Ele possui.

Aqueles que executam este trabalho vão para o Reino do Céu, ou seja, retornam ao paraíso, enquanto que aqueles que não fazem isso permanecem no reino onde se nasce e morre. Este lugar é o próprio planeta onde estão encarnados.

Na Bíblia encontramos a referência ao castigo àquele que continua comendo a maçã, ou seja, continua sabendo distinguir o bem do mal: eles vão para o inferno. Ora, se como já vimos este castigo é permanecer encarnado, isso quer dizer que o planeta onde os espíritos cumprem a pena por saber é aquele em estão encarnando. No caso de vocês, a Terra...

Sim, a Terra para os seres universais que estão no processo de encarnação para provas e expiações é o próprio inferno... Nenhum espírito que continuar praticando o pecado original durante a sua encarnação irá para o inferno ou umbral como os espíritas chama o inferno, quando desencarnarem: apenas continuarão presos ao orbe terrestre.

O umbral ou inferno não está no céu ou abaixo dele, mas no próprio orbe terrestre. E aquele que persistir em atender a tentação da cobra continuará preso aqui.

É para ajudar na luta do espírito para realizar suas provações durante as suas encarnações que a Bíblia Sagrada, tanto o novo quanto o velho testamento, foi escrita. Ela contém ensinamentos que se transformam em caminho para aqueles que querem deixar de se alimentar do fruto proibido: o saber distinguir entre o bem e o mal. A cada trecho, seja ele ditado pelos profetas, apóstolos ou pelo próprio Cristo, a Bíblia traça um caminho que se seguido levará o ser universal a retornar ao paraíso.

Mas, como é descrito na Bíblia o céu, o paraíso, o lugar onde aqueles que conseguirem se libertar da tentação da cobra? Como a Nova Jerusalém.

Se o livro Gênesis mostra o início de tudo e as páginas internas mostram o caminho a ser seguido, o Apocalipse, o último livro da Bíblia, faz um resumo dos acontecimentos do mundo de provas e expiações no planeta Terra e termina falando do lugar onde viverão os espíritos se percorrerem todos os ensinamentos bíblicos.

Vamos conhecer um pouco da Nova Jerusalém ou o Reino do Céu como mostrado a João pelos anjos.

Um dos sete anjos que tinham as sete taças das últimas sete pragas veio e me disse:

- Venha e eu lhe mostrarei a Noiva, a Esposa do Cordeiro.

Então o Espírito de Deus me dominou e o anjo me levou para uma montanha muito alta. Ele me mostrou Jerusalém, a Cidade Santa, que descia do céu e vinha de Deus, brilhando com a glória Dele.

(Apocalipse – Capítulo 21 – Versículo 09 a 11).

A figura da Nova Jerusalém acontece no final da Bíblia Sagrada. Ele é descrita como o lugar onde conseguirão chegar àqueles que seguirem os ensinamentos dos mestres, apóstolos e profetas. Aqueles que por reconhecimento da ascensão moral do Senhor desistem de querer ser, estar ou fazer qualquer coisa baseado no seu saber.

Mas, qual a característica deste lugar é descrita na Bíblia?

Não vi nenhum templo na cidade, pois o seu Templo é o Senhor, o Deus Todo Poderoso e o Cordeiro. (Apocalipse – Capítulo 21 – Versículo 22).

Eis aí a primeira característica da Nova Jerusalém. Ela não precisa de intermediários entre os seres universais e Deus, pois o templo do paraíso é o próprio Deus. Mais uma vez voltamos à questão do reconhecimento da ascensão moral de Deus que leva à desistência de ter os olhos abertos e com isso saber distinguir entre o bem e o mal.

No mundo espiritual os espíritos não aceitam ser dirigidos por nenhum outro ser, a não ser o próprio Deus. Dirigido no sentido de dizer o que é certo ou errado. Tanto faz se estes sejam leigos ou religiosos: os espíritos aceitam apenas aquilo que Deus diz e faz. Eles submetem-se àquilo que Deus dá, sem concordar ou discordar com o que o Senhor faz fundamentados em códigos de regras traçados por outros seres humanizados.

A cidade não precisa de sol nem de lua para a iluminarem, pois a glória de Deus brilha sobre ela e o Cordeiro é a sua própria luz. (Apocalipse – Capítulo 21 – Versículo 23).

Mais uma vez a compreensão de João, aquele que escreveu o Apocalipse, nos leva a entender que não há nada artificial na existência daqueles que conseguirem chegar ao fim da Bíblia, ou seja, ao final do seu processo de provas e expiações: tudo se origina em Deus. Viver a partir de Deus, ou seja, viver dando ao Pai o primeiro lugar em tudo: este é o destino daquele que consegue trilhar os caminhos deixados pelos apóstolos, profetas e por Cristo.

Para alcançá-lo é preciso seguir o que João diz que é feito por aqueles que vivem na Nova Jerusalém:

Os povos do mundo andarão na sua luz e os reis da terra vão lhe trazer as suas riquezas. (Apocalipse – Capítulo 21 – Versículo 24).

Para se viver na Nova Jerusalém é preciso que o ser universal ao longo de suas encarnações leve a Deus toda a sua riqueza. Que riqueza maior pode possuir um ser do que aquilo que ele crê? Todos os seus bens materiais podem ser tomados ou se deterioram com o passar do tempo, mas aquilo que cada um acredita jamais pode ser roubado ou tomado. Por isso é a maior riqueza que um ser possui...

Doe todo o seu saber a Deus, ou seja, entregue para Ele toda a sabedoria que pode haver e com isso você poderá viver na Nova Jerusalém.

O trono de Deus estará na cidade e os seus servos o adorarão. Eles verão o seu rosto e o nome Dele será escrito nas suas testas. Ali não haverá mais noite e não precisarão mais de lamparinas nem da luz do sol porque o Senhor Deus será a luz deles e eles reinarão para sempre.

(Apocalipse – Capítulo 22 – versículo 03 a 05).

Portanto, quem se liberta de todo o seu saber não possui mais critérios para julgar o próximo. Com isso fecha os seus olhos, ou seja, não percebe mais nada de bom ou mal, certo ou errado, e devolve o poder exclusivo de Deus a Ele. Com isso entra na Nova Jerusalém, ou seja, vai para o paraíso.

Mas, onde é que se localiza a Nova Jerusalém? Relembremos o que o anjo mostrou a João: “Ele me mostrou Jerusalém, a Cidade Santa, que descia do céu e vinha de Deus”... A Nova Jerusalém descia do céu sobre a própria Terra. Ou seja, o paraíso é aqui mesmo...

Foi isso que Cristo ensinou através do Evangelho de Tomé:

“003. Jesus disse: Se aqueles que vos guiam vos disserem: vê, o Reino está no céu, então os pássaros vos precederão. Se vos disserem: ele está no mar, então os peixes vos precederão. Mas o reino está dentro de vós e está fora de vós. Se vos reconhecerdes, então sereis reconhecidos e sabereis que sois filhos do Pai Vivo. Mas se vos não reconhecerdes, então estareis na pobreza, sereis a pobreza.”

O Reino de Deus está dentro de cada um. A Nova Jerusalém precisa ser construída dentro de cada um através da doação do bem de maior valor que cada um possui: as suas verdades, os códigos que usa para julgar o próximo.

Assim como o inferno é aqui, o paraíso também é aqui. Inferno e paraíso não são lugares para onde o espírito irá depois das encarnações, mas um elemento do interior de cada um: estados de espírito, uma forma como se vivencia a vida carnal. Aquele que tem seus olhos abertos e se julga capaz de distinguir o bem do mal vive o inferno; aquele que coloca Deus antes de todas as coisas entregando, assim, o poder de julgar a Ele, vive o céu.

O paraíso é aqui, mas ele só será achado quando vocês entregarem o comando a Deus. Enquanto estiverem comendo o fruto da árvore proibida, ou seja, acharem que possuem o poder de ser o deus (aquele que pode julgar o bem e o mal das coisas) da sua e da vida dos outros, viverão o inferno.

Aqui pode ser o céu e o inferno: depende apenas de como cada um vivencia a sua existência carnal.

quarta-feira, 14 de março de 2012

A VIDA DOMINADA PELO ESPÍRITO SANTO



Retirado do Estudo da Carta de Paulo aos Romanos

Agora já não há nenhuma condenação para os que estão unidos com Cristo Jesus.

Capítulo 08 – versículo 01

Vamos primeiro definir o que é Cristo Jesus. Estar unido com Cristo Jesus é ser cristão? Se eu sou cristão eu estou unido com Cristo Jesus? Não... Então o que é estar unido com Cristo Jesus? É estar unido no sentimento, unido na consciência.

Mas, o que é Cristo Jesus? Pergunto assim porque repare que Paulo coloca o nome do mestre de uma forma diferente da que fez até agora. Até agora ele falou em Jesus Cristo e agora fala em Cristo Jesus...

O que é Cristo Jesus como definido por João, o Evangelista? A ação do amor. Então, estar unido ao Cristo Jesus é viver amorosamente, é possuir a consciência amorosa da ação. Aqueles que possuem a consciência amorosa da ação como Jesus Cristo possuiu, acabam com o pecado.

O que é ação amorosa, ação com consciência amorosa? É quando o ser humano pratica o seu ato entregando as intenções a Deus. Você tem que sacrificar as suas intenções a Deus, ou melhor, tem que acabar com as suas intenções para que a de Deus se pronuncie. Portanto, a consciência amorosa existe quando o ser humano vivencia a ação sem intenções...

Sendo assim, se alguém briga com outro, por exemplo, vivendo esta ação com a consciência amorosa, ele não sai satisfeito ou chateado por ter brigado. Este é o momento que Paulo no diz que acontece o fim do pecado. Isso ocorreu porque aquele ser humano viveu como Cristo Jesus viveu: viveu para Deus abrindo mão de suas intencionalidades...

Porque a Lei do Espírito de Deus que nos trouxe vida por causa da nossa união com Cristo Jesus me livrou da Lei do pecado e da morte.

Capítulo 08 – versículo 03

Qual é a Lei que o Espírito de Deus trouxe que te ligou a Cristo Jesus? Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Jesus disse: essa é a lei.

Portanto, a lei que o Espírito Santo trouxe é a lei amorosa. É aquela onde você vive amando a Deus acima de tudo e por isso é feliz. Por causa desta felicidade, consegue amar ao próximo como a si mesmo.

Mas, essa lei substituiu qual outra? A lei do pecado; aquela que cria o certo e o errado.

Na lei de Deus não há certo nem errado, bonito nem feio, limpo nem sujo. A lei de Deus nos ensina a viver harmonicamente com todos independente do que cada um faça.

É isso que Paulo está nos dizendo: agora a lei que Jesus Cristo nos trouxe nos livra do pecado porque não precisamos mais julgar o que outro faz. Isso porque o ser humano passa a amar o que o outro faz, não importando o que seja o que ele faça. Ama, sem intenção, sem recriminação, sem julgamento sem nada. Faça o que o outro fizer o ser humano lhe ama, do mesmo jeito que ama a si mesmo.

O que a Lei de Moisés não pode fazer porque a natureza humana era fraca, Deus fez.

Capítulo 08 – versículo 03

A lei de Moisés disse 'não mate', mas a natureza humana é fraca, por isso continua se matando. Qual é a natureza humana? O individualismo entregue às paixões e nos desejos. Portanto, a lei de Moisés diz 'não mate', mas a natureza humana tem uma paixão, gosta de algumas coisas e esse gostar gera um desejo. É por causa das coisas que gosta e quer que as pessoas continuam se matando.

Matar não é errado, mas também não é certo. Ele é necessário, mas o ser humanizado não deve se transformar em matador, não deve servir de instrumento a Deus para tirar a vida de outro.

Para isso, o ser humano precisa matar a sua natureza humana, as suas paixões e vontade, pois enquanto houver uma paixão, positiva ou negativa, surgirá o desejo. Ao surgir, não importando se ele é transformado em ato, aconteceu o pecado. Só em desejar o ser humano peca: Cristo ensinou isso.

Por isso que a Lei de Moisés não conseguiu acabar com os elementos que ele disse que eram errados. Ela era coercitiva com atos e não trabalhou as paixões humanas. A lei de Deus trazida por Cristo através do Espírito de Deus trabalha às paixões e não nos atos.

Por isso Cristo deixa claro: não adianta você não fazer, pois ao desejar já pecou. Por isso diz ainda: Deus conhece a intenção de cada um.

O objetivo do ensinamento de Cristo é mudar o nosso interior e não mudar os nossos atos. É nos ensinar a suplantarmos nossas paixões.

Ele condenou o pecado na natureza humana enviando o seu próprio Filho que veio na forma da nossa natureza pecaminosa para acabar com o pecado.

Capítulo 08 – versículo 03

Cristo veio na forma humana para acabar com o pecado e por isso não se entregou às paixões; pelo contrário, ele acabou com as suas paixões.

'O Senhor vai ser crucificado? Vou sim, graças a Deus'. Ele jamais lutou para se defender.

Participante: Para mim ele veio mostrar isso que está sendo falado e que é possível, pois até então parecia que era impossível de se chegar. O único que conseguiu foi ele, mas pelo menos houve a possibilidade. O problema é que depois que ele veio passaram a colocá-lo como mártir e esqueceram que ele veio justamente para provar que aqui é possível.

É possível agir assim, mas você não vê isso porque colocaram Cristo lá em cima, numa realidade muito afastada de vocês. Quando Deus mandou Cristo à carne foi para dizer: 'veja como é possível... Ele é igual a vocês; nasceu e viveu igual a vocês'.

Participante: Quantas vezes eu já ouvi isso: Jesus Cristo é Jesus Cristo, Nossa Senhora é Nossa Senhora; eu não sou eles, sou diferente....

Não é igual porque não quer ser. Eles provaram que é possível se viver uma vida material sem desejos, sem paixões, vivendo para Deus, com Deus e em Deus. Você também pode fazer isso...

Mas, porque não consegue? Porque transformaram a vida de Jesus Cristo num martírio, como se ele tivesse sofrido a vida inteira. Ele jamais sofreu... Vivia em glória, em êxtase com Deus, por isso não poderia ter sofrido.

Participante: Para reforçar o que o senhor está falando, repare na feição dele... Foi-nos mostrada uma feição branda.

Mesmo sendo caluniado, mesmo sendo xingado, mesmo sendo perseguido,

Ele estava sempre tranquilo. Por quê? Porque sabia que só ia acontecer o que Deus quer. Por isso deixava falarem o que quisessem...

Deus fez isso para que as ordens justas da Lei pudessem ser completamente cumpridas por nós que vivemos de acordo com o Espírito de Deus e não de acordo com a natureza humana.

Capítulo 08 – versículo 04

Fez isso mandando Cristo, criando a encarnação Jesus Cristo. Tomando este exemplo, todos aqueles que estão buscando a elevação espiritual vivem de acordo com a natureza de Deus e não com a humana.

Não estou falando apenas daqueles que são reconhecidos como santos. Estou falando daqueles que não têm um prato de comida e são felizes. Esses vivem de acordo com a natureza de Deus. Vamos entender o que acabei de dizer...

Para você, que é movido pela natureza humana, passar fome é uma injustiça, mas para quem vive com a natureza espiritual sabe que passar fome é uma ordem justa na lei de Deus, pois é o carma daquele ser. Passar fome com o Espírito de Deus, mostra que é possível se viver feliz, mesmo não tendo o que comer.

Mas, não é sempre assim que acontece. Tem muito pobre feliz, mas tem outros que sofrem a carência. Tem muito rico feliz, mas tem outros que se prende à busca do prazer e não vivem felizes, mesmo tendo tudo...

Portanto, o que importa é como você vive o que tem e não ter...

Porque os que vivem como a natureza humana quer, tem as suas mentes controladas por ela.

Capítulo 08 – versículo 05

Se você se entrega à paixão, a sua mente e o seu pensamento vai ser controlado pelas paixões. Não tem jeito de ser diferente...

Mas os que vivem como o Espírito de Deus quer, tem as suas mentes controladas pelo Espírito.

Capítulo 08 – versículo 05

Quem vive como a natureza humana quer, tem sua mente controlada por ela; quem vive como o Espírito de Deus quer, tem a mente controlada pelo Espírito de Deus.

Pergunto: não é este o nosso ensinamento? Não ensinamos que Deus lhe dá o pensamento de acordo com o seu sentimento?

O que ensinamos até agora? Se você tem sentimentos da natureza humana (paixões positivas e negativas) Deus lhe dá um pensamento de acordo com estes sentimentos. Ele controla sua mente como espelho do que você sente. Agora, se você busca o espírito de Deus, Ele lhe dá pensamentos fundamentados nesta busca...

Repare bem... Paulo não sabia muito sobre pensamentos naquela época. Naquele tempo ainda não existia Freud e por isso Paulo não conhecia nada de psicologia, mas já sabia que o pensamento depende do sentimento. Você sente pela natureza humana? Pensa pela natureza humana. Sente pelo Espírito de Deus? Pensa por Ele...

Sendo assim, você quer saber o que você está sentindo? É só estudar a historinha que lhe vem à mente... Neste momento, pode saber o que está sentindo.

Ter a mente controlada pela natureza humana produz morte mas ter a mente controlada pelo Espírito produz vida e paz.

Capítulo 08 – versículo 06

Já definimos morto como aquele que está afastado de Deus, que vive nos sentimentos individualistas; e também definimos vivo como aqueles que estão no Reino do Céu, que vivem ligados a Deus. Viver com amor, produz paz.

Por isso o ser humano se torna inimigo de Deus quando a sua mente é controlada pela natureza humana.

Capítulo 08 – versículo 07

Que palavra dura... Mas, é a verdade: o ser humano é o inimigo de Deus. O ser humanizado, aquele que vive pelas suas paixões, é o inimigo de Deus, pois o Pai ama e ele sofre; Deus ama e ele tem prazer. Este ser jamais se universaliza com o que Deus está mandando para ele.

Alguém aqui conhece a Bíblia? A história da Bíblia é uma história de guerras, não é? Guerra de quem? De Deus contra o seu inimigo: o Diabo. Quem é o Diabo? O ser humano, o inimigo de Deus...

O ser humanizado, aquele que vive com e através de um ego, um personagem, achando que o personagem é ele, esse é o inimigo de Deus. Já se falou muito em ser humano e ser espiritual, mas acho que até hoje vocês não entenderam a diferença entre estes dois elementos. O ser humano é o espírito humanizado; o ser espiritual é o espírito espiritualizado.

Vocês não compreendem assim... Acham que são dois elementos distintos, mas não são. O mesmo espírito quando espiritualizado é espiritual, mas quando humanizado, é humano. Depois que este último se desumanizar, voltará a ser espiritual...

Porque ele não obedece a Lei de Deus e de fato não pode obedecer a ela. Os que obedecem a sua natureza humana não podem agradar a Deus.

Capítulo 08 – versículo 07

Não se pode servir a dois Mestres ao mesmo tempo. Ou você serve ao ego ou serve a Deus.

Porém vocês não vivem como manda a natureza humana, mas como o Espírito de Deus quer, se é que de fato o Espírito de Deus vive em vocês. Quem não tem o espírito de Cristo não pertence a ele. Mas Cristo vive em vocês, isso quer dizer que embora o corpo vá morrer por causa do pecado, para vocês o Espírito de Deus é vida porque vocês têm sido aceitos por Deus.

Capítulo 08 – versículo 09 a 10

Está se falando aqui da questão da ressurreição. Quem se juntar a Cristo sai da carne com a consciência espiritual. Por isso não há morte, não há quebra de existência. Agora, para quem vive pela natureza humana um dia terá que haver a morte, um final.

Não estou falando de morte física, mas do final da encarnação, do final do ego, do final das crenças...

Se vive em vocês o Espírito de Deus, que ressuscitou Jesus, então aquele que ressuscitou Jesus Cristo dará também vida aos seus corpos mortais, pela presença do seu Espírito, que vive em vocês.

Portanto meus irmãos, temos uma obrigação, que é a de não viver de acordo com a nossa natureza humana.

Capítulo 08 – versículo 11 e 12

Chegamos ao terceiro assunto desta carta de Paulo que falamos no início deste capítulo. Primeiro Paulo falou da fé, depois da lei e agora falamos de viver pela natureza Espiritual, viver por Deus. Essa é a base do ensinamentos não só de Paulo, mas de todos os Mestres.

Você precisa ter fé e descobrir que não pode se apegar a Leis, pois ela é a criadora do pecado. Descoberto isso, deve viver para Deus, em comunhão com Deus, em comunhão com o espiritual. Quem vive em comunhão com o espiritual, não tem problema. Para este a vida nunca acabará, pois a vida dele será diferente. Não será a vida que vocês vivem, pois esta se acaba inexoravelmente.

Porque se vocês vivem de acordo com a natureza humana, estão indo para a morte; mas se pelo Espírito de Deus matam as suas ações pecaminosas, vocês viverão...

Capítulo 08 – versículo 13

O pecado da ação, não a ação pecadora. O pecado da ação é a intenção e não a ação propriamente dita...

… pois todos que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque o Espírito que Deus tem dado a vocês não os torna escravos e não faz que fiquem com medo.

Capítulo 08 – versículo 14 e 15

Deus não escraviza ninguém. Você só chega a Ele através do livre arbítrio. Agora do ego, você vira escravo, porque ele lhe prende, lhe amarra.

Ao contrário, o Espírito os faz filhos de Deus, e pelo poder do Espírito dizemos com fervor a Deus: Pai, meu Pai.

Capítulo 08 – versículo 15

Eu só queria acrescentar uma coisa: a vida ligada no espiritual os faz filhos de Deus conscientes. Digo isso porque todos são filhos de Deus, mas não têm essa consciência disso. Só a vida vivida com fervor ao espírito lhe dá a consciência de ser filho de Deus.

O que é isso? É saber que se Deus é por você ninguém pode ser contra. Já quem vive pela natureza humana não tem essa consciência e tem sempre medo do amanhã.

O Espírito de Deus se une com o nosso Espírito para afirmar que somos filhos de Deus. E, porque somos seus filhos, herdaremos as bênçãos que Ele guarda para o seu povo e também herdaremos com Cristo o que Deus tem guardado para ele.

Capítulo 08 – versículo 16 a 17

Não só os que vivem em fervor receberão o que Deus tem prometido ao seu povo: todos receberão... Mas, como Paulo já disse lá atrás, primeiro os judeus e depois os não judeus. Ou seja, primeiro aqueles que vivem para Deus e depois os que não vivem para Ele. Estes só receberão quando matarem a natureza humana em si.

Porque se participamos dos sofrimentos de Cristo, também tomaremos parte na sua glória.

Capítulo 08 – versículo 17

Sofrimento entre aspas. Paulo está falando em passar pela situação de sofrimento (ser acusado, xingado, cuspido, crucificado) sem sofrer...

INOCENTES


Participante: Como posso aceitar que Deus causa tudo nesta vida se vejo centenas de inocentes sendo feridos diariamente?

Posso dizer uma coisa para você: hoje em dia existem encarnados espíritos que já viveram existências que foram feitores de escravos, que durante a segunda guerra mundial matou judeus nas câmaras de gás, que em guerras matou pessoas que já estavam desarmadas. Eles fizeram tudo isso não nesta vida, mas em outras. Foram os mesmo espíritos que participaram destes acontecimentos com sentimentos egoístas em outras vidas que hoje acabam sendo ‘vítimas’ de atos violentos.

Apesar de dizerem que acreditam no processo reencarnatório vocês não levam em conta o que estes mesmos seres já viveram em encarnações anteriores. Por isso dizem que eles são inocentes. Até aceitam que estas coisas aconteçam nos romances espíritas, mas não trazem esta informação para a existência de agora. Não fazem isso porque, apesar de dizer que acreditam nos romances espíritas, ainda tratam aquilo apenas como literatura e não realidade. O que vocês não entenderam é que a vida de vocês é um romance espírita que será escrito um dia...

Mas, se estas pessoas são inocentes, lhes pergunto: quem é o culpado? Quando vocês dizem que tais pessoas são inocentes, não veem que estão acusando Deus de ser o culpado do que aconteceu com eles. Sim, estão acusando Deus, pois se ele sabia de antemão o gênero da morte de alguma pessoa como é dito em O Livro dos Espíritos, porque não agiu para proteger tal pessoa?

A realidade deste mundo é contrário ao que vocês pensam, como compreendeu Kardec:

Imaginamos erradamente que aos Espíritos só caiba manifestar sua ação por fenômenos extraordinários. Quiséramos que nos viessem auxiliar por meio de milagres e os figuramos sempre armados de uma varinha mágica. Por não ser assim é que oculta nos parece a intervenção que têm nas coisas deste mundo e muito natural o que se excuta com o concurso deles.

Assim é que, provocando, por exemplo, o encontro de duas pessoas, que suporão encontrar-se por acaso; inspirando a alguém a ideia de passar por determinado lugar; chamando-lhe a atenção para certo ponto, se disso resulta o que tenham em vista, eles obram de tal maneira que o homem, crente de que obedece a um impulso próprio, conserva sempre o seu livre arbítrio.

(O Livro dos Espíritos – comentário de Kardec à pergunta 525 a)

Todos os acontecimentos deste mundo, desde aqueles que vocês consideram bons até aqueles que vocês consideram maus, são comandados pelos espíritos sugerindo aos humanizados o que fazer. Fazem isso não por livre e espontânea vontade, mas dentro das leis da Natureza, como está dito na resposta à pergunta 525 a do mesmo livro. Esta natureza é o próprio Deus, ou seja, tudo que eles fazem é determinado por Deus. Isso é o que quer dizer ser a Causa Primária de todas as coisas.

Esta ação não é feita só para proteger o ser humanizado como vocês imaginam. Aliás, como diz Kardec no texto acima, vocês criaram até um ‘anjo da guarda’, um espírito que possui uma varinha mágica e age através de milagres para defendê-los do mal deste mundo. Engano...

Não importa se a questão é de bem estar ou até de morte para o ser humanizado, os espíritos cumprem a missão que lhes foi designada:

526. Tendo, como têm, ação sobre a matéria, podem os Espíritos provocar certos efeitos, com o objetivo de que se dê um acontecimento? Por exemplo: um homem tem que morrer; sobe uma escada, a escada se quebra e ele morre da queda. Foram os Espíritos que quebraram a escada, para que o destino daquele homem se cumprisse? É exato que os espíritos têm ação sobre a matéria, mas para cumprimento das leis da Natureza, não para as derrogar, fazendo que, em dado momento, ocorra um sucesso inesperado e em contrário àquelas leis. No exemplo que figuraste, a escada se quebrou porque se achava podre ou por não ser bastante forte para suportar o peso de um homem. Se era destino daquele homem perecer de tal maneira, os Espíritos lhe inspirariam a ideia de subir a escada em questão, que teria que quebrar-se com o seu peso, resultando-lhe daí a morte por um efeito natural e sem que isso fosse mister a produção de um milagre.

572. Tomemos outro exemplo, em que não entre a matéria em seu estado natural. Um homem tem que morrer fulminado pelo raio. Refugia-se debaixo de uma árvore. Estala o raio e o mata. Poderá dar-se tenham sido os Espíritos que provocaram a produção do raio e que o dirigiram para o homem? Dá-se o mesmo que anteriormente. O raio caiu sobre aquela árvore em tal momento, porque estava nas leis da Natureza que assim acontecesse. Não foi encaminhado para a árvore, por se achar debaixo dela o homem. A este sim foi inspirada a ideia de se abrigar debaixo de uma árvore sobre a qual cairia o raio, porquanto a árvore não deixaria de ser atingida só por não lhe estar debaixo da fronde o homem.

(O Livro dos Espíritos)

Nestas duas questões fica bem claro que não são os elementos materiais que causam a morte dos seres humanizados, mas os espíritos que os levam para lugares onde sabem que acontecerá aquilo que eles precisam vivenciar, mesmo que nisso resulte o fim da encarnação. Mas, e se um ser humanizado não precisar perecer, será que os espíritos podem agir para salvá-lo?

528. No caso de uma pessoa mal intencionada disparar sobre outra um projétil que apenas lhe passe perto sem a atingir, poderá ter sucedido que um Espírito bondoso haja desviado o projétil? Se o indivíduo alvejado não tem que perecer desse modo, o Espírito bondoso lhe inspirará a ideia de se desviar ou então poderá ofuscar o que empunha a arma, de sorte a fazê-lo apontar mal, porquanto uma vez disparada a arma, o projétil segue a linha que tem de percorrer.

(O Livro dos Espíritos)

Não há vítimas, porque todos os que perecem, sejam por causas naturais ou por ação de outros seres humanizados, tinham tal destino traçado. Se não tivessem, eles teriam sido inspirados para saírem da frente dos projeteis que os atingiram ou aquele que atirou teria sua vista ofuscada para errar o alvo. Portanto, todos que morrer de forma violenta apenas cumprem o seu destino. Mais: são encaminhados para o encontro fatídico pelos espíritos que, a mando de Deus, os direciona para lá.

Mas, se vocês continuam acreditando que existem inocentes, aconselho a leitura do livro Jó da Bíblia. Este personagem bíblico era um homem muito rico e uma família muito unida. Um dia numa reunião no céu o seguinte:

O Deus Eterno disse:

- Você notou o meu servo Jó? No mundo inteiro não há ninguém tão bom e honesto como ele. Ele me teme e procura não fazer nada que seja errado.

Satanás respondeu:

- Será que não é por interesse próprio que Jó te teme? Tu não deixar que nenhum mal aconteça a ele, à sua família e a tudo o que ele tem. Abençoa tudo o que Jó faz e no país inteiro ele é o homem que tem mais cabeças de gado. Mas, se tirares tudo o que é dele, verá que ele te amaldiçoará sem nenhum respeito.

O Deus Eterno disse a Satanás:

- Pois bem. Faça o que quiser com tudo o que Jó tem, mas não faça nenhum mal a ele mesmo.

(Bíblia Sagrada – Livro de Jó – Capítulo 01 – versículos de 08 a 12)

Satanás, então, voltou a Terra e por meio naturais (acontecimentos perceptíveis pelos seres humanos) tirou todas as posses materiais de Jó e matou todos de sua família. Mesmo assim Jó permaneceu fiel a Deus: “Nasci nu, sem nada e sem nada vou morrer. O Deus Eterno deu; o Deus Eterno tirou. Louvado seja o seu nome”.

Em nova reunião no reino celeste Deus perguntou a Satanás:

Você viu meu servo Jó? No mundo inteiro não há ninguém tão bom e tão honesto como ele. Ele teme e procura não fazer nada que seja errado. No entanto você me convenceu e eu o deixei desgraçar Jó, embora não houvesse motivo para isso. Mesmo assim ele continua firme e sincero como sempre.

Satanás respondeu:

- É só tocar na pele dele para ver o que acontece. As pessoas não se importam de perder tudo desde que conservem a própria vida. Agora, se estenderes a mão e ferires o corpo dele verá como ele, sem nenhum respeito, te amaldiçoará-.

O Deus eterno disse a Satanás:

- Pois bem. Faça o que quiser com Jó, mas não o mate.

(Bíblia Sagrada – Livro de Jó – Capítulo 02 – Versículos 03 a 06)

Com a permissão do Deus Eterno Satanás, então, provocou diversas feridas em Jó que o cobriu da cabeça aos pés. Inicialmente Jó permaneceu fiel ao Deus Eterno, mas com a visita de três amigos ele finalmente se revolta contra Deus amaldiçoando o dia em que nasceu. Ou seja, coloca-se como vítima como você está colocando as pessoas que passam por atos violentos.

Depois de muito resmungar contra Deus, Jó recebe, então, a presença do Deus Eterno que lhe diz:

As suas palavras só mostram a sua ignorância. Quem é você para pôr em dúvida a minha sabedoria? Mostre agora que é valente e responda ás perguntas que lhe vou fazer. Onde é que você estava quando criei o mundo? Se você é tão inteligente, explique isso. Você sabe quem resolveu qual seria o tamanho do mundo e quem foi que fez as medições? Em cima de que estão firmadas as colunas que sustentam a terra? Quem foi que assentou a pedra principal do alicerce do mundo?

...

Jó, alguma vez na sua vida você ordenou que viesse a madrugada e assim começasse um novo dia? Você alguma vez mandou que a luz se espalhasse sobre a terra sacudindo os perversos e os expulsando de seus esconderijos?

...

Jó, você já visitou as nascentes do mar? Já passeou pelo fundo do oceano? Alguém já lhe mostrou os portões do mundo dos mortos, aquele mundo de escuridão sem fim? Você tem alguma ideia da largura da terra. Responda, se é que você sabe tudo isso?

(Bíblia Sagrada – Livro de Jó – Capítulo 38 – versículo 01 a 18).

O ser humanizado não conhece perfeitamente as coisas deste mundo, mas ainda se julga capaz de dizer o que é certo ou errado, o que é justo ou é injusto. Impossível: somente aquele que possui a Inteligência Suprema, ou seja, a capacidade perfeita de compreensão e sabedoria sobre tudo pode dizer o que é justo ou injusto de acontecer.

Apesar de somente Deus ser a Inteligência Suprema e por isso possua a capacidade suprema de conhecer as coisas, os seres humanizados orgulhosos de sua inteligência menor fazem como Jó: vivem querendo provar a Deus que estão com a razão. Passam o dia inteiro querendo provar ao Senhor que mereciam muito mais do que recebem ou que não mereciam passar por determinadas coisas. É por isso que consideram a si mesmos e aos outros como inocentes. Assumem a posição de vítimas, mas não entendem que agindo assim estão dizendo que Deus é o culpado...

Culpa é um ato danoso a outrem ou uma ação negligente ou imprudente. Deus quando comanda os acontecimentos deste mundo jamais pensa em causar dano a alguém nem age negligentemente ou imprudentemente. Tudo o que Deus faz tem um propósito: criar a provação do espírito que é o objetivo supremo da encarnação.

Deus age pela Justiça Perfeita, mas sempre com o Amor Sublime. Ele cria a provação para cada espírito, mas não como pena ou castigo, mas sim proporcionando uma nova oportunidade para que aquele espírito obtenha a sua elevação. Aliás, é nisso que se fundamenta o dogma da reencarnação:

171. Em que se fundamenta o dogma da reencarnação? Na justiça de Deus e na revelação, pois incessantemente repetimos: o bom pai deixa sempre aberta a seus filhos uma porta para o arrependimento. Não te diz a razão que seria injusto privar para sempre da felicidade eterna todos aqueles de quem não dependeu o melhorarem-se? Não são filhos de Deus todos os homens? Só entre egoístas se encontram a iniquidade, o ódio implacável e os castigos sem remissão.

(O Livro dos Espíritos)

As vítimas de hoje, podem ter certeza, foram os algozes de ontem. São vítimas hoje não como castigo do que fizeram ontem, mas para que aproveitem a oportunidade e possam redimir-se. Tudo isso é feito por um Deus que não age com iniquidade, ódio implacável e através de castigos sem remissão. Portanto, parem de considerar-se vítimas inocentes de uma história e provem o seu amor a Deus acima de tudo fazendo como Kardec ensina:

O homem que tem consciência da sua inferioridade haure consoladora esperança na doutrina da reencarnação. Se crê na Justiça de Deus não pode contar que venha a achar-se para sempre em pé de igualdade com os que mais fizeram do que ele. Sustem-no, porém, e lhe reanima a coragem a ideia de que aquela inferioridade não o deserda eternamente do supremo bem e que, mediante novos esforços, dado lhe será conquistá-lo. Quem é que, ao cabo da sua carreira, não deplora haver tão tarde ganho uma experiência de que já não mais pode tirar proveito? Entretanto, essa experiência tardia não fica perdida: o Espírito a utilizará em nova experiência...

(O Livro dos Espíritos)

Portanto, todos os que sofrem atos violentos e acabam perecendo vivem, mesmo que tardiamente, uma experiência que pode não ser útil mais para esta encarnação, mas que poderá ser para as próximas. A utilidade desta experiência, no entanto, só estará disponível àquele espírito se ele aproveitar o acontecimento unido sentimentalmente com Deus, ou seja, se ele não achar-se vítima.

Isso é o que diz a doutrina que dizem que acreditam e, portanto, deveria ser a profissão da fé de vocês. Nós não podemos ajudar diretamente àquele espírito a aproveitar esta experiência porque ele não se encontra em condições de receber o auxílio, mas vocês podem.

Como ajudar a quem sofre uma violência a aproveitar este momento como uma experiência para outras encarnações? Não vibrando dentro da ideia de que eles foram vítimas de alguma coisa. Assim fazendo, reforçam naquele ser esta ideia e a oportunidade que Deus está dando àquele ser de ganhar uma experiência para o futuro acaba perdida.

Para realmente ajudá-lo é preciso que vocês cumpram os mandamentos que Cristo ensinou: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Amem, portanto, a Deus acima da sua própria ideia de que alguém foi vítima de alguma coisa e amem a todos, inclusive o suposto algoz que vitimou um suposto inocente.

terça-feira, 13 de março de 2012

TERRORISMO


Participante: O senhor falou que os homens que atacaram os Estados Unidos no dia onze de setembro foram enviados de Deus. É isso?

Mais do que enviados de Deus, eles cumpriram o que Deus queria que fosse feito...

Participante: Mas, eles estavam errados, não é mesmo?

Por que você afirma isso?

Participante: Porque eles causaram mortes, desavenças e destruição em inocentes... Não se sabe ao certo a intenção deles, mas na prática seja ela qual for foi ruim. Na verdade o que eles queriam era praticar a violência.

Na verdade de quem eles queriam praticar a violência? Na sua, não é mesmo? Na sua verdade – e que também pode ser de outras pessoas – eles queriam a violência, mas será que isso é universal, absoluto? Vamos conversar sobre isso...

O que é morte? Apenas uma etapa da vida... A morte física nada mais é do que um momento da existência eterna do espírito. Por causa disso afirmo: não existiu naquele momento a morte como fim de alguma coisa como vocês acreditam que exista.

Apesar da maioria das pessoas que aqui estão se dizer espírita, acreditam na morte como definimos agora: o fim de alguma coisa. Porque eles acreditam nisso? Porque ainda não vivem com a consciência de que são espíritos. Apesar de acreditar que exista o espírito que viva uma vida eterna, vocês ainda se imaginam a carne que estão vestindo hoje. Isso não é real...

O Espírito da Verdade em O Livro dos Espíritos afirma que no Universo existe apenas o espírito como ser inteligente. Diz ainda que por um processo que vocês chamam de nascimento este espírito assume momentaneamente a condição de alma. Por causa disso vocês acreditam que alma é uma coisa que convive dentro deste corpo e que só voltará a ser espírito quando morrer. Mas, esta visão não é verdadeira, pois o espírito jamais deixa de ser o que ele realmente é. Se mudasse, o Espírito da Verdade ao falar do ser inteligente diria que existem os espíritos e as almas. Como ele não cita isso podemos dizer que alma é o próprio espírito, que nunca deixa de ser um ser universal.

Se tudo isso é verdade, o que os encarnados devem fazer é retirar esta roupa que vestem e compreender que a existência eterna do espírito, seja encarnado ou não, continua sempre igual. Retirar esta roupa é ver as coisas com a mesma visão daqueles que não a estão vestindo. Isso é necessário porque quando se sai desta roupa (morre fisicamente) acreditando em alguma coisa, continuará acreditando nesta verdade. Sendo assim, fica impossível conviver com aqueles que lá estão.

Existe uma coisa que vocês precisam aprender: não se acessa o mundo espiritual através de mágica ou por atividades místicas. Vocês imaginam que ao voltar a este mundo tudo o que agora acredita se transformará como num passe de mágica. Isso não é real...

Posso citar muitos espíritos que mesmo hoje decorridos milhares de anos que já desencarnaram ainda não conseguiram vivenciar a realidade espiritual. Estão no mundo espiritual vivendo presos ao material. Apesar de já terem ‘morrido’, ainda acham que estão na carne e ficam perplexos por estarem ‘vivos’ durante tantos anos.

Vocês precisam entender uma coisa: se morrerem agora nem saberão que a existência carnal acabou. Sabem me dizer qual a única diferença que poderão sentir em vocês estando mortos ou vivos? Na respiração... O espírito só sabe que está no mundo material quando respira, pois quando liberto deste mundo ele não precisa inalar oxigênio para existir...

Sei que vocês acreditam que terão condições de ter plena consciência de que morreram, mas isso não é real. Imaginam que poderão saber que já passaram pelo acontecimento morte porque olharão para si mesmo e não verão o corpo físico. Enganam-se... Existe o perispírito que encobre o espírito e que é idêntico ao corpo físico. Ele é parecido com o corpo físico seja em forma quanto em consistência. Vocês imaginam que vão notar logo a diferença porque creem que o perispírito é transparente, mas isso não é real.

O perispírito não é apenas uma imagem que reflete o externo do corpo físico, mas envolve cada célula do corpo material. Para cada célula do corpo físico existe uma reprodução dela no perispírito.

Em face de tudo isso, digo que sua afirmação está apenas apegada às verdades humanas e não a universal. Não houve neste acontecimento muitas mortes. O que aconteceu foi que muitas carnes foram desabitadas do princípio inteligente que a anima e se transformaram em outras coisas.

Nada morreu ali: nem o princípio inteligente que animava a carne nem ela própria. Isso porque a carne humana não morre: se transforma em outras coisas. Aliás, no Universo não podemos dizer que nada morra ou nasça, comece ou acabe, se extinga: tudo se transforma... Como Buda ensinou, o Universo é feito de transformações e não de princípios e fins...

Portanto, onde você diz que houve mortes eu afirmo que houve transformações. As matérias carnais se transformaram em outras coisas e os princípios inteligentes que as animava também. Alguns conseguiram retornar à pátria espiritual; outros vão ficar vagando neste mundo tendo que fazer a transformação de suas verdades para poder ingressar onde os outros foram diretos.

Este processo todo para o mundo espiritual não é motivo de tristeza, mas sim de festa.

Participante: Mas, isso não traz tristeza, sofrimento?

Para os espíritos não, pois muitos nem sabem o que lhes aconteceu. Por não terem se conscientizado da diferença entre os dois mundos vão continuar vivendo sem carne o que viviam quando vestindo a carne. Ou seja, continuarão suas vidas normalmente sem saberem que morreram...

Participante: Mas e para os parentes e a comoção geral?

Ah! Você está falando das pessoas que estão chorando a sua perda? Elas estão preocupadas com quem se foi ou consigo mesmo, com a sua perda? Elas estão chorando as suas próprias dores e não a dor do acontecimento...

Não foi o acontecimento que causou a tristeza, mas sim a perda de cada um. Isso não é amor, mas posse...

Participante: Mas, cada um tem o seu livre arbítrio?

Vamos falar um pouco sobre isso...

Você acredita que tem o livre arbítrio, ou seja, a livre opção do que fazer. Por causa disso acredita que poderia levantar agora e matar aquela outra pessoa que está ali. Se fizesse isso, para você, estaria usando do seu livre arbítrio. Mas, neste caso, onde fica o livre arbítrio dele?

Se você tem o direito de livre arbitrar, ou seja, de escolher o que fazer, o outro também tem. Se você usou deste livre arbítrio para matar, porque ele não pode usar o dele que não queria morrer?

Acreditando no seu livre arbítrio que o leva a agir desrespeitando o do outro você convive com um Deus injusto, pois apesar de Onipotente, Onisciente e Onipresente, não pode naquele momento evitar aquilo que Ele sabia que ia acontecer. Este não é o Universo descrito pelos mestres que sempre afirmam que Deus é a Justiça...

Sendo Deus a Justiça e a Causa Primária de todas as coisas, posso dizer que você só usará o seu livre arbítrio para fazer a quem precisa e merece o que o Pai sabe que vai acontecer. O que ele não mereça jamais você conseguirá fazer, por mais que queira ou decida fazer. Este é um Universo onde Deus está presente em cada lugar observando o que Ele já sabe que vai acontecer e comanda estes acontecimentos.

Sendo assim, o seu livre arbítrio está apenas em abrigar um sentimento de raiva que o torna merecedor de matar quem precisa e merece morrer e não em matar ou deixar de fazer isso.

Participante: Mas, eu sou responsável por este ato...

Não, você foi responsável por se tornar merecedor de praticar o ato, ou seja, de cultivar dentro de si a raiva.

Os mestres nunca nos ensinaram a fazer carinho nos outros, mas a ter o amor pelos outros. Eles também nunca nos ensinaram a dar nada ao próximo, mas em ter sempre o sentimento da caridade. Eles sempre nos mostraram que o caminho para Deus está dentro de cada um nos sentimentos que possui e não nas ações que são praticadas.

A responsabilidade de um espírito reside em nutrir sentimentos e não em praticar atos. Estes nada mais são do que o reflexo do que cada um sente dentro de si. Seja como agente (o atirador), seja como receptor (o morto), o ato do qual cada um participa é um reflexo daquilo que ele nutriu sentimental durante a sua existência eterna. Ele é comandado por Deus dando a cada o que precisa e merece e assim fazendo com que a Justiça Universal prevaleça sempre. Os comanda jamais permitindo que alguma coisa fira aquele que não precisa ou mereça ser ferido.

O seu livre arbítrio, portanto, não se constitui em fazer o que quiser, mas em sentir o que quiser. Viver, diferente do que vocês pensam, não é praticar uma ação, mas nutrir este ou aquele sentimento. Na vida material você constrói uma casa; na espiritual constrói um lar...

Se todos os mestres ensinaram um Deus como aqui descrevemos (Causa Primária de todas as coisas, Justiça Perfeita, Onipresente, Onisciente e Onipotente) o que disse é verdade. Se o que falei é verdade, isso quer dizer que você só conseguirá dar um tiro naquela pessoa se nutrir determinados sentimentos e se ela merecer receber esta bala porque nutriu determinados sentimentos...

Se isso é real e válido para a sua relação com aquela pessoa, também é real e válido para os atos terroristas. Sendo assim, nada há para se julgar, acusar ou condenar nestas ações e nem deveria haver sofrimentos pelo que aconteceu. Mas, as pessoas que ficaram sofrem... Vamos falar disso...

Será que elas estão sofrendo pelos que foram ou por elas mesmas? Elas sofrem não pelos que partiram, mas pela própria dor: ‘Eu fiquei sem esta pessoa’... Neste caso o que sentimento que é nutrido não é o da dor pela morte do outro, mas pela sua própria perda. Isso não é fruto de um amor, mas de um egoísmo...

Você acha certo se agir egoisticamente? Acha certo você querer que as coisas aconteçam apenas para satisfazer suas próprias vontades? Claro que não...

Não sendo certo querer que as coisas aconteça apenas para satisfazer suas próprias vontades, quem está ‘errado’ no caso dos recentes ataques terroristas: quem mata ou quem é egoísta? Quem pratica uma ação dando a cada ser universal aquilo que ele precisa e merece para a sua evolução espiritual ou quem nem está aí para a existência eterna e quer apenas o gozo do seu próprio prazer mundano?

Sendo assim, dentro do aspecto que você levantou (o sofrimento gerado pelos terroristas com sua ação) o que há de ‘errado’, usando-se o prisma espiritual para averiguar a história, não é a própria ação, mas aquele que egoisticamente sofre.

Como já disse rapidamente antes, a morte para nós que estamos libertos da humanidade que se vive durante a encarnação é uma festa. Aliás, para muitos humanos a morte também é vista desta forma. Só os egoístas é que se prendem a necessidade de ter o outro ao alcance de suas percepções.

Para nós a morte é uma festa, pois festejamos o fim do aprisionamento do ser universal a uma condição que nada tem a ver com a realidade universal. Nós consideramos a vida carnal como um aprisionamento, pois quem está nesta condição só pensa a partir de valores humanos e só percebe o que os órgãos do sentido carnal podem mostrar. No Universo as verdades são bem diferentes daquelas que vocês vivem e o que existe possui muito mais beleza e reluzem de uma forma que vocês não podem imaginar porque estão presos aos sentidos do corpo físico.

Portanto, o que foi provocado pelos terroristas na visão universal é um grande baile onde muitos saem do aprisionamento carnal para o mundo universal. Por isso, a sua acusação de que houve coisa ‘errada’ no matar é apenas uma convicção humana e não uma realidade universal.

Mas, você falou que houve destruição naquele momento. Que destruição houve: a do templo do dinheiro e do poder? Deus destruir os templos do anticristo é errado? Acho que não, não é mesmo?

Depois de destruir tudo o que você viu naquele acontecimento, me permita construir uma coisa. Você acha que os terroristas atacaram os Estados Unidos movidos pelo ódio, mas pergunto: será que eles não foram movidos pela justiça? Vamos entender isso...

Todos os mestres ensinaram que a dor humana é um grande instrumento para que o ser universal possa evoluir. Cristo chega a afirmar que vocês só serão bem aventurados quando forem perseguidos e caluniados. A dor humana, portanto, é um instrumento de Deus para que os seres universais possam repensar quando humanizados nos valores que vigoram no Universo ao invés de ficarem apenas presos às tentações do mundo material.

Em face disso que acabei de dizer, será que o ataque não foi justo? Será que a dor humana que surge deste acontecimento não pode ser uma boa oportunidade para os seres humanizados acordarem do seu sonho material e ao invés de cultuar os templos do dinheiro (as torres gêmeas) e do poder (sede da CIA) busquem cultuar o amor universal? Sendo, não terá sido justo o ataque?

O que aconteceu foi justiça e não vingança. Foi a Justiça de Deus que aliada ao Seu Amor dá aos seres humanizados uma nova oportunidade de trabalhar no sentido de sua elevação espiritual. Mas, ao invés de aproveitar a oportunidade, vocês preferem lamentar o acontecimento, sofrer pelas carnes transformadas e pelos espíritos libertados da humanização.

Essa é a visão que pode acabar com a ideia de que houve ali uma vingança. Mas, há também uma visão material que pode também lhe dizer que houve justiça e não vingança. Historicamente os Estados Unidos não invadiu vários países no mundo e eliminou o que ele quis trazendo a morte para diversas pessoas inocentes? Isso é fato e você sabe disso. Injusto seria se eles atacassem um país que nunca procurou atacar os outros, mas este não é caso dos Estados Unidos, não é mesmo? Portanto, mesmo dentro de uma análise material não foi vingança e sim justiça: os Estados Unidos foram julgados pelo mesmo critério que julgam os outros como ensinou Cristo.

Sendo assim, os terroristas envolvidos neste incidente, seja pela visão espiritual (a destruição dos templos anticristo) ou pela humana (dar àquele povo o que ele faz com outros), praticaram justiça e não vingança. A justiça foi praticada ali seja por uma visão ou por outra. Pode não ter sido a sua justiça, o que você acha que seria justo ou injusto acontecer, mas dentro de uma visão mais ampla, livre dos conceitos de certo e errado de cada ser humano.

Portanto, aceite isso que eu falei. Só assim você poderá estar em sintonia com Deus e com o Universo. Se não aceitar a presença da justiça no acontecimento, você voltará à velha visão que dividia o Universo entre Deus e o diabo e viveria na eterna luta entre os dois.

Esta luta é simbólica, pois o diabo não existe. Se existisse um diabo ele seria cada um de nós seres universais quando quiséssemos tudo para nós mesmos sempre, mesmo que isso custe a perda do outro.

Aqueles homens que buscavam justiça não são instrumentos do mau, do diabo, mas sim de Deus que proporcionaram aos seres humanizados uma grande chance de repensar se os cultos ao mundo financeiro e ao do poder são realmente certos de existirem ou se deveriam entregar-se ao amor a Deus e ao próximo acima de todas as coisas.

Participante: De qualquer maneira eles estão errados porque se suicidaram...

Porque o mundo humano lhe disse que eles estavam errados você tem que encontrar um erro para poder justificar esta crença, não é mesmo? Não existe ato certo ou errado, como já lhe disse agora há pouco...

O que determina o perfeito ou o imperfeito não é o que cada pessoa pratica, mas sim como vivencia emocionalmente aquele momento. Se eles se entregaram à morte com amor no coração, eles estão perfeitos. E isso eles tiveram... Eles entregaram-se àquele momento com amor por seu povo, por seu mestre espiritual, por sua raça, por sua pátria. Desta forma eles não podem ser considerados culpados de nada...

Sobre os espíritos destes homens que morreram no ataque a estes centros só posso lhe dizer uma coisa: eles foram muito bem recebidos do lado de cá... Foram recebidos como heróis de guerra porque receberam uma importante missão para fazerem e deram cabo dela.

Sim, a destruição destes templos é tão importante que está citada na Bíblia:

Então um dos sete anjos que tinham as sete taças veio me dizer:

- Venha e eu lhe mostrarei como será castigada a famosa prostitua, aquela grande cidade que está construída perto de muitos rios. Os reis da Terra cometeram imoralidade com ela e os povos do mundo ficaram bêbados com o vinho da sua imoralidade.

Bíblia Sagrada – Apocalipse – capítulo 17 – versículos 01 e 02

NOTA:

1. Em outra palestra o amigo espiritual nos disse que esta prostituta era a cidade de Nova York. Ele a tratou assim porque ela aceita todos os homens de qualquer parte do mundo e não apenas os nascidos nela mesmos.

2. O restante da interpretação deste texto bíblico pode ser encontrado no texto ‘Babilônia’, que faz parte da Coleção de Estudos Espiritualistas ’Caminho Crístico’.

Se você quiser condenar no seu coração os terroristas de agora tem que também condenar Moisés e os reis hebreus, pois eles, sob o comando de Deus, guerrearam contra diversos povos e cidades da antiguidade exterminando muitas raças. Para não condená-los tente esquecer as carnes que se transformaram, tente esquecer as coisas materiais que foram destruídas e o sofrimento de quem ficou e compreenda que o importante não é o acontecimento humano, mas sim todo o envolvimento sentimental que esteve presente, de um lado e de outro. Se fizer isso, verá que eles agiram em defesa de um povo, uma raça, um país e uma doutrina religiosa enquanto outros estão sofrendo porque são egoístas e aprisionados ás coisas materiais.

Agora saiba de uma coisa: toda essa violência não vai parar por aqui. Aqueles que agora foram atacados tentarão o revide e muito sangue vai rolar. Só que agora haverá uma grande diferença: o que moverá os que atacarão não será mais o amor, mas a vingança contra o dano que sofreram agora. Isso vai ficar bem claro nas palavras daqueles que guiarão a vingança. Por causa deste sentimento, rapidamente os Estados Unidos não serão mais o mesmo e conhecerão profunda crise.

NOTA:

1. Este texto refere-se a uma análise feita pelo amigo espiritual Joaquim no dia 23/09/2001 e utiliza para a transmissão dos ensinamentos os ataques sofridos pelos Estados Unidos em onze de setembro do mesmo ano. No entanto, os ensinamentos valem para todas as tragédias vivenciadas pela humanidade, sejam por causas naturais ou bélicas, antes e depois deste ataque. Isso ficou bem claro quando o amigo espiritual falou a respeito do assassinato de crianças na Rússia por terroristas e sobre o tsunami acontecido na Indonésia.

2. Apesar de neste texto haver uma aparente defesa da existência de atos terroristas não é esta a posição nem do mentor espiritual nem do Espiritualismo Ecumênico Universal. A nossa visão, como Joaquim deixou bem claro em outras oportunidades é de que eles são necessários em virtude do egoísmo dos seres humanizados e não obrigatórios. Não defendemos qualquer violência nem buscamos praticá-la, mas compreendemos quando ela existe como decorrência natural da condição espiritual dos seres encarnados no planeta. Como disse o Espírito da Verdade quando questionado se a Terra poderia ser um paraíso (façam por onde merecer que a Terra seja), acreditamos que somente amando a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, inclusive aqueles que praticam atos violentos, poderemos transformar este planeta.

3. Apesar de sermos a favor do amor mesmo a quem pratica atos violentos, não somos a favor que a pena da lei humana não se aplique a estas pessoas. Quem em seus atos, mesmo por ordem de Deus, fere a lei humana deve pagar pelo que fez. Deve ser julgado honestamente e se condenado deve cumprir a pena que a lei determina. A isso somos a favor, mas somos contra aplicar uma segunda pena pelo mesmo crime: a nossa raiva, o nosso ódio.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

PRESENTE DE INSULTOS



Perto de Tóquio, no Japão, vivia um grande samurai já idoso que agora se dedicava a ensinar o zen-budismo aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um guerreiro - conhecido por sua total falta de escrúpulos - apareceu por ali. Era famoso por usar a técnica da provação: esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para reparar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante.

O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta. Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para derrotá-lo e aumentar sua fama.Todos os estudantes se manifestaram contra a idéia, mas o velho aceitou o desafio.

Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar o velho. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos - ofendendo, inclusive, seus ancestrais. Durante horas, fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo-se exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.

Desapontados pelo fato que o mestre aceitara tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram:"Como o senhor pode suportar com tanta indignidade? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?"

- Se alguém chega até você com um presente e você não o aceita, a quem pertence o presente?, perguntou o samurai.

- A quem tentou entregá-lo, respondeu um dos alunos.

- O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos, disse o mestre. Quando não são aceitos continuam pertencendo a quem as carregava consigo.

O MONGE E A PROSTITUTA


Vivia um monge nas proximidades do templo de Shiva. Na casa em frente, morava uma prostituta. Observando a quantidade de homens que a visitavam, o monge resolveu chamá-la.

- Você é uma grande pecadora - repreendeu-a. Desrespeita a Deus todos os dias e todas as noites. Será que você não consegue parar e refletir sobre a sua vida depois da morte?

- A pobre mulher ficou muito abalada com as palavras do monge; com sincero arrependimento orou a Deus, implorando perdão. Pediu também que o Todo-Poderoso a fizesse encontrar uma nova maneira de ganhar o seu sustento.

Mas não encontrou nenhum trabalho diferente. E, após uma semana passando fome, voltou a prostituir-se. Mas, cada vez que entregava seu corpo a um estranho, rezava e pedia perdão.

O monge, irritado porque seu conselho não produzira nenhum efeito, pensou consigo mesmo:
"A partir de agora vou contar quantos homens entram naquela casa - até o dia da morte desta pecadora."

E desde esse dia, ele não fazia outra coisa a não ser vigiar a rotina da prostituta: a cada homem que entrava, colocava uma pedra num monte.

Passado algum tempo, o monge tornou a chamar a prostituta e lhe disse:

-Vê esse monte? Cada pedra dessas representa um dos pecados morais que você cometeu, mesmo depois de minhas advertências. Agora torno a dizer: cuidado com as más ações!

A mulher começou a tremer, percebendo como se avolumavam seus pecados. Voltando para casa, derramou lágrimas de sincero arrependimento, orando:

- Ó Senhor, quando Vossa misericórdia irá me livrar desta miserável vida que levo?

Sua prece foi ouvida. Naquele mesmo dia, o anjo da morte passou por sua casa e a levou. Por vontade de Deus, o anjo atravessou a rua e também carregou o monge consigo.

A alma da prostituta subiu imediatamente ao céu, enquanto os demônios levaram o monge ao inferno. Ao cruzarem no meio do caminho, o monge viu o que estava acontecendo, e clamou:

- Ó Senhor, essa é a Tua justiça? Eu, que passei a minha vida em devoção e pobreza, agora sou levado ao inferno, enquanto essa prostituta, que viveu em constante pecado, está subindo ao céu!

Ouvindo isso, um dos anjos respondeu:

- São sempre justos os desígnios de Deus. Você achava que o amor de Deus se resumia a julgar o comportamento do próximo. Enquanto você enchia seu coração com a impureza do pecado alheio, esta mulher orava fervorosamente dia e noite. A alma dela ficou tão leve depois de chorar que podemos levá-la até o paraíso. A sua alma ficou tão carregada de pedras que não conseguimos fazê-la subir até o alto.