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quinta-feira, 15 de março de 2012

A NOSSA EUCARISTIA



Na orientação que agora vou dar a vocês eu não os elogio. Porque as suas reuniões na igreja fazem mais mal do que bem. Em primeiro lugar me contaram que há grupos de pessoas que estão brigando nas reuniões da igreja. Eu creio que em parte isso é verdade. Não há dúvida de que é preciso haver divisões entre vocês para que apareçam os que estão certos. Mas, quando vocês se reúnem não é a ceia do Senhor que vocês comem. Porque, quando vão comer, cada um se adianta para tomar a sua própria refeição. E assim, enquanto uns ficam com fome, outros chegam até a ficar bêbados. Será que vocês não têm as suas próprias casas onde podem comer ou beber? Ou será que preferem desprezar a Igreja de Deus e envergonhar os que são pobres? O que é que esperam que eu diga a vocês? Querem que lhes dê os parabéns? É claro que não vou fazer.

(Carta aos Coríntios 1 – Capítulo 11 – Versículo 17 a 22)

Apesar de estas palavras terem sido escritas pelo apóstolo Paulo há mais de dois mil anos, elas são completamente atuais até o dia hoje. Ou será que até hoje nos templos os seguidores de Cristo (os cristãos) não brigam entre si? Como diz Paulo, precisa haver discordâncias entre os seguidores de Cristo, mas será que eles precisam atacar-se entre si? Será que precisam ser os primeiros a se adiantar para se alimentarem (dizerem que conhecem a verdade do que Cristo ensinou)? Será que não basta a cada o que há na sua própria casa (a doutrina que seguem) e precisam roubar o alimento (a certeza com relação aos ensinamentos de Cristo) dos outros?

É isso que vemos nos dias de hoje. Diversos são os seguimentos cristãos: os espíritas e os não espíritas, os católicos e os evangélicos e protestantes. Eles se digladiam dizendo cada um possui o certo do ensinamento de Cristo. O que esperam que diga: que lhes dê os parabéns? Claro que não vou fazer isso...

Vou dar a eles o mesmo conselho que Paulo deu: ceiem com o Senhor...

Porque eu recebi do Senhor o ensino que passei a vocês: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, pegou o pão e deu graças a Deus. Depois partiu o pão e disse: Isto é o meu corpo, que é entregue em favor de vocês. Façam isso em memória de mim. Assim também, depois do jantar, pegou o cálice e disse: Esse cálice é o novo acordo feito por Deus com o seu povo, acordo que é selado com o meu sangue. Cada vez que vocês beberem deste cálice, façam isto em memória de mim. Porque cada vez que vocês comem deste pão e bebem deste cálice anunciam a morte do Senhor, até que ele venha.

Por isso aquele que comer do pão do Senhor ou beber do seu cálice de modo indigno peca contra o corpo e o sangue do Senhor. Portanto, antes de comer do pão ou beber do cálice, cada um deve examinar a sua consciência. Se alguém comer do pão ou beber do cálice sem reconhecer que se trata do corpo do Senhor, come e bebe para o seu próprio castigo. É por isso mesmo que muitos de vocês estão doentes e fracos e alguns já morreram. Se examinássemos primeiro a nossa própria consciência, não estaríamos debaixo do julgamento de Deus. Mas, somos julgados e castigados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.

(Carta aos Coríntios 1 – Capítulo 11 – Versículo 23 a 32)

O remédio indicado por indicado por Paulo para salvar os cristãos de Coríntios é o mesmo que se pode dar a todos os seguidores de Cristo em qualquer das doutrinas que hoje existem: a cada momento comer o corpo e beber o sangue de Cristo. Esta ação é chamada pela Igreja Católica de ‘eucaristia’.

Nós endossamos a necessidade de fazer a eucaristia, mas discordamos do ato proposto pela Igreja Católica: o engolir a hóstia e beber o vinho. Vamos entender isso...

A igreja católica adota este ritual porque está presa ao corpo físico de Cristo, ao Jesus Cristo homem. Por isso ela acha que a eucaristia se consiste em comer e beber algo material. Mas, nós seguimos Paulo quando ele fala sobre a ressurreição de Cristo:

Quando você semeia uma semente na terra, ela só brota se morrer. E o que está semeado é apenas uma semente, talvez um grão de trigo ou outra semente qualquer e não o corpo já formado da planta que vai crescer. Deus dá a essa semente o corpo que ele quer e dá a cada semente o seu próprio corpo.

E a carne dos seres vivos não é toda do mesmo tipo: os seres humanos têm um tipo de carne, os animais outro; os pássaros outro; e os peixes ainda outro.

Há também corpos do céu e corpos da terra...

(Carta aos Coríntios 1 – Capítulo 15 – Versículo 36 a 40).

Ao invés de nos prendermos ao corpo físico de Jesus Cristo para a prática da eucaristia, preferimos nos prender ao seu corpo espiritual. Qual é este corpo? O apóstolo João nos ensina...

Antes de ser criado o mundo, aquele que é a Palavra já existia. Ele estava com Deus e era Deus. Assim, desde o princípio a Palavra estava com Deus.

...

A Palavra se tornou um ser humano e morou entre nós.

(Evangelho de João - Capítulo 01 – Versículos 01, 02 e 14).

Cristo é a Palavra. Ela se transfigurou em ser humano para aqui, como mensageiro de Deus trazer a Sua mensagem. Que mensagem é esta? Ela foi deixada claramente depois de última ceia:

Eu lhes dou este novo mandamento: Amem uns aos outros. Assim como eu os amei, amem também uns aos outros. Se tiverem amor uns pelos outros, todos saberão que vocês são meus seguidores.

(Evangelho de João – Capítulo 13 – Versículo 34 e 35).

A mensagem de Cristo foi o amor incondicional entre todos os seres universais. Por isso posso dizer que a Palavra é o amor. A importância deste entendimento está muito bem descrita por Paulo:

Eu poderia falar todas as línguas que se falam na terra e até no céu, mas se não tivesse amor as minhas palavras seriam como o barulho do gongo ou o som do sino. Poderia ter o dom de anunciar mensagens de Deus, ter todo o conhecimento, entender todos os segredos e ter toda a fé necessária para tirar as montanhas dos seus lugares, mas se não tivesse amor, eu não seria nada. Poderia dar tudo o que tenho e até entregar o meu corpo para ser queimado, mas se eu não tivesse amor, isso não me adiantaria de nada.

(Carta aos Coríntios 1 – Capítulo 13 – Versículos 01 a 03).

Para se acabarem com as divergências entre os cristãos somente a eucaristia é um instrumento válido. Não a eucaristia levada ao pé da letra como faz a Igreja Católica (a comunhão com o corpo físico de Jesus Cristo), mas aquela onde se cria a comunhão com o corpo espiritual da Palavra: o amor...

Se houver amor as palavras discordantes entre as doutrinas não soarão como gongo. Os dons que cada facção cristã afirma ter (processos mediúnicos, a desobsessão, o poder da oratória e a própria fé) não são nada se não exercitadas com o amor ensinado por Cristo. Mesmo a caridade, que é o único ponto convergente entre as doutrinas cristãs, não é nada sem que o amor crístico esteja na base da ação.

Só a eucaristia, o comungar com a Palavra, pode salvar os religiosos de qualquer segmento cristão. Somente vivendo em comunhão com o amor aqueles que se dizem buscador de Deus podem alcançá-Lo.

Para viver esta eucaristia é que indicamos o caminho traçado por Paulo: o exame da consciência. Para comungar com a Palavra é preciso que cada um viva analisando sua consciência para saber se aquilo que pensa reflete-se num amor universal ou se está preso a um julgamento, a uma crítica ou acusação. Aquele que não comunga a cada momento da sua vida, ou seja, não analisa seus próprios pensamentos para ver se eles refletem um amor incondicional a todos, como e bebe o seu próprio castigo. Por isso, como ensina Paulo, “muitos de vocês estão doentes e fracos e alguns já morreram”.

Para se comungar com Cristo não é preciso cerimônia alguma nem ingestão de qualquer matéria humana (o pão e o vinho) ou mesmo a presença de um padre: basta apenas viver pelo amor. Cada momento que o ser humanizado vive amorosamente está em eucaristia com Cristo.

Por isso insistimos desde o início em incitar que cada um produza a sua reforma íntima, ou seja, liberte-se dos critérios de certo e errado para as coisas do mundo e amem a todos incondicionalmente. Fazemos isso porque somos seguidores de Cristo e comungamos com a Palavra. Quando assim agimos fornecemos o corpo e o sangue de Cristo para todos os que nos ouvem poder fazer a sua comunhão. Agora, se cada um irá se comungar, isso é com cada um... Ouvindo, compreendendo e tentando praticar o amor incondicional, este ser terá comungado com a Palavra; ouvindo e não tentando colocar este amor em prática, não comungará. Esta é a nossa eucaristia...

Justamente por causa deste respeito à opinião de quem quer que seja, por favor, não tomem estas nossas palavras como uma crítica a qualquer religioso. Sabemos que a comunhão com a Palavra é decisão do livre arbítrio de cada ser e por isso não nos dizemos certos ou errados, nem aplicamos estes valores a ninguém.

Fazemos como Paulo: mostramos o caminho e a consequência de uma vida vivenciada de tal ou tal forma. Cada um que analise sua consciência e siga ou não os ensinamentos deixados pelos enviados de Deus.

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